Hoje o sol iluminou como sempre a árvore rodeada do canteiro.
Companheiros dos momentos de ócio. Talvez excesso de tédio
Enfim, meu tempo para um cigarro. Junto da árvore.
Procuro tempo suficiente para assimilar o impacto do Caranhoto.
Mesmo sabendo ter que deixar estes tempos passarem.
Tempos de mídia. Coisas do Caranhoto.
Um dos mais procurados na Feira.
O mais entre os dez em Passo Fundo.
O meu Caranhoto chegou lá!
Fecham-se parenteses. A Vida continua!
Então eu volto a escrever neste meio virtual.
Assim, eu volto nestas teclas para concordar com Sartre:
Não importa o que a vida fez Para mim.
Mas sim o quê Eu faço com isso que a Vida me Fez.
Eu lancei Caranhotos para o mundo.
Consegui o êxtase.
Transmitir emoções à aqueles que leram.
Somente quando se escreve a verdade.
Ou o mais próximo dela pode-se convencer.
Aqueles que leem.
Assim, meu recado de hoje é:
Vivamos a Vida na
Plenitude de Possibilidades
Que Ela se mostra!
Volto neste blog
Com o mesmo sentimento de entonte.
Fui, vi, e venci.
Graças a Deus!
Dizem que os conflitos humanos se resumem em nascer, viver e morrer. Porém, viver é o grande conflito. A grandeza de viver é a postura do ser ante a vida e seus limites. Caranhoto leva o leitor por uma vida marcada com tragédia.Alguns transformam dores em terríveis sofrimentos. Outros preferem debochar da cara amarga da vida, e rir com tudo, apesar de tudo.O texto tem humor judáico, aquele que sabe rir de si mesmo.Walmor Santos.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Datas que marcam.
Hoje comemora-se o Dia do Escritor.
Sei que provavelmente jamais esquecerei desta data.
Não por que me considere um escritor, mas sim porque coincidentemente, agora à pouco lacrei o envelope do SEDEX que levará meu contrato assinado para a publicação de dois mil Caranhotos.
Certamente, um momento que não esquecerei.
Momentos inesquecíveis são aqueles que contam aofinal das nossas vidas.
Acho que deve ser uma daquelas famosas cenas dos segundos finais que passamos nossas vidas em revista.
Vá em Paz Caranhoto!!
Sei que provavelmente jamais esquecerei desta data.
Não por que me considere um escritor, mas sim porque coincidentemente, agora à pouco lacrei o envelope do SEDEX que levará meu contrato assinado para a publicação de dois mil Caranhotos.
Certamente, um momento que não esquecerei.
Momentos inesquecíveis são aqueles que contam aofinal das nossas vidas.
Acho que deve ser uma daquelas famosas cenas dos segundos finais que passamos nossas vidas em revista.
Vá em Paz Caranhoto!!
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Não sou feito de homem nem de animal. Talvez mineral buscando um estado menos bruto.
Hoje, enquanto voltava para casa, o carro da minha frente era um SUV. Placa de Caete, MG. Gosto de pensar que eles estão cruzando pela cidade. Diferentemente de mim, que apenas estou retornando para casa. Sei que isso é um claro sintoma de falta de férias. Hoje, num breve café com o Preto, falei disto: Férias. Mas não posso agora.
Férias combina com tempo para descanso, novas descobertas, e aventuras. Tenho vários 'nós' para desfazer antes de sentir-me pronto para tirar férias
Mas com o calor de hoje, parece que o clima debochou da minha situação.
O termômetro do carro marcava 22º às 18 horas. Enquanto sigo o SUV, penso no vento morno que deve estar soprando na praia de Itapuã. Ou nas calçadas ainda quentes de Copacabana. Ah! Que saudades de um check in de aeroporto...
Sei que é tempo de inverno. Este calorzinho não me engana. O rigor do minuano e a aspereza da geada ainda estão por ai, à nos espreitar. Mas como canta Chico Buarque...' Apesar de você, amanhã há de ser um novo dia.'.
Abro o portão da garagem para estacionar o carro. O calor quase morno, e enganador fica na rua. Agora é só a frieza dos espaços do edifício. Tempo para refletir enquanto o termômetro despenca e o sol se esconde.
Um pouco assim, como escreveu Carlos Mundi, na página 34 da Zero de hoje, é que devo pensar. O inverno é época para buscar um estado menos bruto.
Férias combina com tempo para descanso, novas descobertas, e aventuras. Tenho vários 'nós' para desfazer antes de sentir-me pronto para tirar férias
Mas com o calor de hoje, parece que o clima debochou da minha situação.
O termômetro do carro marcava 22º às 18 horas. Enquanto sigo o SUV, penso no vento morno que deve estar soprando na praia de Itapuã. Ou nas calçadas ainda quentes de Copacabana. Ah! Que saudades de um check in de aeroporto...
Sei que é tempo de inverno. Este calorzinho não me engana. O rigor do minuano e a aspereza da geada ainda estão por ai, à nos espreitar. Mas como canta Chico Buarque...' Apesar de você, amanhã há de ser um novo dia.'.
Abro o portão da garagem para estacionar o carro. O calor quase morno, e enganador fica na rua. Agora é só a frieza dos espaços do edifício. Tempo para refletir enquanto o termômetro despenca e o sol se esconde.
Um pouco assim, como escreveu Carlos Mundi, na página 34 da Zero de hoje, é que devo pensar. O inverno é época para buscar um estado menos bruto.
domingo, 22 de maio de 2011
Ausência
A ausência é a falta que sentimos de algo que está ocupando outro espaço.
Assim eu estou...
Ocupando outro espaço.
Agora deveria estar na cama, mas me comprometi com este espaço, então o ocupo.
Tenho saciado minha vontade pela escrita com a revisão do meu livro.
Confesso que, se não for desta vez que farei a revisão definitiva, irei deletar tudo!
Não aguentaria mais lêr, reescrever, e re-lêr....
Não sou nem perto um Graciliano.
Mas desta vez acho que vai terminar este ciclo Caranhoto.
Escrevi um artigo sobre acessibilidade que saiu no jornal da semana passada.
E terça participarei de um programa da TV UPF sobre o mesmo tema....
Bem....
Assim termina este meu encontro com este blog...
Reservei onze minutos para ele...
Agora desocupo estas teclas para ocupar meu lugar no leito.
Assim eu estou...
Ocupando outro espaço.
Agora deveria estar na cama, mas me comprometi com este espaço, então o ocupo.
Tenho saciado minha vontade pela escrita com a revisão do meu livro.
Confesso que, se não for desta vez que farei a revisão definitiva, irei deletar tudo!
Não aguentaria mais lêr, reescrever, e re-lêr....
Não sou nem perto um Graciliano.
Mas desta vez acho que vai terminar este ciclo Caranhoto.
Escrevi um artigo sobre acessibilidade que saiu no jornal da semana passada.
E terça participarei de um programa da TV UPF sobre o mesmo tema....
Bem....
Assim termina este meu encontro com este blog...
Reservei onze minutos para ele...
Agora desocupo estas teclas para ocupar meu lugar no leito.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
WC com acessibilidade. Básico!
Hoje pela manhã não fui trabalhar.
Tive um compromisso particular.
Coisas raras.
Não ir trabalhar, e ter um compromisso particular.
Visitei a associação dos deficientes com a intenção de convidar o presidente.
Haverá uma mesa redonda na Rádio Diário da Manhã para discutir acessibilidade.
Convidei-o em nome do Partido Verde.
O Preto me autorizou.
Senti-me honrado.
Quase todas têm seus destinos pelas escolhas que fizeram. Mas um Portador de Necessidades Especiais não fez escolha. Aconteceu!
Comigo foi assim.
Mas tão pouco me sinto como os que eu vi; tomando chimarrão, fumando no pátio, ou navegando na internet. Senti-me longe daqueles tipos meio ‘à toas’.
Eu estava lá, mas meu trabalho me cobrava.
Botei na balança e entendi que devia trabalhar com eles.
Tenho consciência plena que seus estados não são desejos. É condição!
Poderei incorporar Dom Quixote, ou talvez um decepcionado.
Meu primeiro objetivo é que se tenha um banheiro público adaptado.
Na Praça Marechal Floriano.
Nunca se sabe...
sábado, 7 de maio de 2011
Pimenteira.
A tarde desocupada deste sábado ensolarado provocam-me a ociosidade.
Escolho as teclas para praticar a 'vagabundagem do pensamento'.
Chego em casa e o silêncio predomina.
Deslizo até o escritório e ligo o PC e a TV.
Recebo @mails. Abro somente o do Climatempo.
Tempo bom é previsto.
Na TV ouço, e vejo o que me interessa.
Justamente a audição me trouxe a inspiração.
Pimenteira.
O programa era sobre um fato sobrenatural que ocorreu na década de cinqüenta.
O cenário era na Rua Demétrio Ribeiro. Lembro da rua simpática, com calçadas guardadas por arbustos e canteiros. Felizmente ninguém morreu neste episódio.
Mas no apartamento ‘amaldiçoado’ da Demétrio, houve inexplicáveis fatos; vidros quebrados, louças partidas, lâmpadas autônomas e fogões que acendiam por si.
Eu assistia o documentário, entre o curioso e o descrédito.
Mas um depoimento me inspirou:
‘Naquele apartamento, uma pimenteira não durava sete dias...’.
Imediatamente lembrei da minha pimenteira!
Busco a planta que está escondida pela tela deste notebok.
Uma fração de segundos criam o suspense:
Como estará minha pimenteira?
Ufa!
Assim que baixo a tela do note vejo uma planta vigorosa.
Folhas fortes e frutos saudáveis!
Mas não satisfeito busco no Google para conferir o resultado para pimenteira.
Escolho aquele que relata vínculo com proteção energética de ambiente:
http://www.terra.com.br/esoterico/fengshui/colunas/2004/04/15/000.htm
http://www.terra.com.br/esoterico/fengshui/colunas/2004/04/15/000.htm
‘Todos nós estamos sujeitos a ataques de energias negativas, oriundas de várias pessoas, por motivos fúteis e perigosos. Por exemplo, seu chefe acha você mais competente que ele, logo tem medo que você o tire o emprego dele. Pode ser a sua amiga solteira que tem inveja de seu relacionamento (isto se ela não estiver afim seu marido ou namorado). Pode ser aquele vizinho ou parente riquíssimo, mas pobre de espírito, com inveja de você que é rico de espírito e de bem com a vida. Pode ser uma pessoa negativa, de mal com a vida, azarada e, que tem inveja de pessoas felizes, trabalhadoras e bem-sucedidas.’
Penso que até se pode acreditar na missiva acima. Mas tenho dificuldade em aceitar.
Minha citação preferida para as ocasiões que se sugere mal-olhado é:
‘Praga de urubu não mata cavalo gordo!’
Mas tem outra que gosto muito, e respeito:
‘Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay!’
Por precaução carrego São Jorge pendurado no pescoço, e assim reforço a Fé em mim e naqueles que me conduzem.
Termino meu devaneio nesta tarde desocupada, pensando na força de minha Fé.
Se você quiser, ou puder, pense no tema.
In God we must be trust.
Fé!
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Considerações sobre BullinNada.
O fim do dia leva a jornada do trabalho para casa. Mas antes, o mercado!
Enquanto espero, vejo uma dupla de bikepatrulhas. Inicialmente me chama a atenção de ambos estarem de óculos escuro, apesar de já ser noite. Estes estancam as bikes, e postamo-se junto de um homem sentado no banco do largo em frente. O homem é magro, cabelos pálidos e sebosos; blusa e calça de moleton surrados; chinelos Havaiana.
Observo o patrulheiro que se aproxima do mendigo para aborda-lo. Instintivamente cuido o movimento seguinte do mendigo. Este abre os braços na mimica de '...estou limpo!', e levanta-se. Fica em pé, e sai caminhando.
É clara e evidente sua atrofia de membros inferiores. As calças balançam presas pela cintura. Caminha medindo os passos, e arrastando uma perna. O patrulheiro estanca. Parece não ver ameaça ( ou sentir compaixão?), e desiste da abordagem.
O mendigo poderia acusar o patrulheiro de 'bulling'?
Minha tese é sim. Pois o cidadão foi abordado, em atitude insuspeita. Apenas porque era aparentemente pobre e desocupado. Foi molestado. BullinNado.
'Agosto. Os jornais matinais diziam que o tempo era firme e quente, mas, aparentemente, foi por volta do meio-dia, que alguma coisa excepcional começou a acontecer, e funcionários do gabinete, todos com aquela expressão desesperada de crianças vitimas de bulling, começaram a telefonar para o serviço de meteorologia.' - Truman Capote, 1946.
O termo é antigo. Há tempos habita os dicionários.
'Banha! Quatro olhos! Zarrolho! Pavio de vela! Seco! Gago! Aleijadinho!
É muito comum ter conhecido alguém com estes apelidos. Eu tenho um grande amigo que seu apelido (codinome) era Xuxa. Extremamente loiro; beirando albino. Nesta época a Xuxa estava em alta.
Na infância eu tive um vizinho que chamavam de Zoinho. Era um menino franzino e mau. Talvez por zombarem de seu estrabismo.
Zoinho tornou-se um comerciante bem sucedido. Encontro-o seguidamente na padaria durante meu café-da-manhã. Sempre o cumprimento. Mas não digo seu nome simplesmente porquê não sei. O certo é que Zoinho não é seu nome. Mas certo é que Zoinho sobreviveu!
Minha idade cronológica, nesta era, separa-me de muitas gerações.
Se fosse criança insegura, nestes tempos, andaria com o Código Civil nas axilas. Mas na minha geração, crianças tinham que manter a honra, mesmo que muitas vezes à baixo de tapas e socos.
'Vaca! Senvergonha! Vagabunda! Meretriz!'. Palavras fáceis de se encontrar nas telenovelas. E atitudes de traição, ódio, hipocrisia, e raro afeto. Faz tempo que a TV abriu caminho até as mentes e corações. Mas inúmeras outras formas de comunicação se criaram. Hoje li na Folha on-line que um mendigo foi encontrado cremado. Pouco ainda pode nos comover.
'Para o mundo que eu quero descer' - Raul Seixas.
Este mundo, onde alguns tem milhares de amigos, sem um para o café de uma tarde fria em agosto e sem um abraço no aniversário, mas com centenas de @cartões.
É..!
Para o Mundo que eu quero descer!
Ou vou abrir um processo contra todas as 'bullinações' que já sofri!
E que mal ou bem, forjaram-me a pessoa forte que me construí.
Termino este, com a mais impactante frase que já li:
'El tiempo cura, lo que em vano lá razón procura!'.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Aeroporto D' Almas
'Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.
Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a agua com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas penduram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.' - Graciliano Ramos, 1948.
Guardei por meses, este texto impresso que ganhei numa oficina de literatura do Sesc. Se não estou enganado foi com Sérgio Napp. Aquele que escreveu a letra da música Desgarrados.
Acho, este conselho de Graciliano um dos melhores para quem pensa em escrever.
O texto que publico à baixo foi recentemente 'lavado'.
Mas conserva a força do ímpeto momentâneo.
Saindo do quarto eu encontro o hall vazio. Um silêncio respeitoso paira no ar. Apenas um sofá desbotado observa o abrir e fechar das bocas dos elevadores. Eu observo o terreno, e escolho o destino. Uma porta identificada: ‘Saída de emergência’. Alguns passos até atrás da porta, e estou numa pequena passagem de andar. Uma única janela contempla aquele espaço, esquecido no prédio de quinze andares. Abro a janela e uma brisa noturna, ainda morna pelo calor do dia, me recebe. Ela será cúmplice do meu intento. Um adesivo na porta corta-incêndio alerta-me em vão: “Proibido Fumar – Lei 2603.” . Conferindo a posse do fumo e do fogo, acomodo-me encostado na janela, e providencio baforadas espessas de alcatrão e nicotina.
Sua respiração ofegante, apesar de inundada pela mascara de oxigênio, aliado ao vazio de seus olhos vagos, fizeram-me pular da cadeira ao lado do leito e buscar alento na imediata nicotina contida em meu cigarro. Debruço-me na janela, cúmplice ocasional, e solto o ar dos pulmões, para deixar partir na brisa os fantasmas da sua iminente fatalidade. O brilho das estrelas engole a fumaça expelida.
Lembro-me do tempo de criança, quando gostava de imaginar os desenhos que se formariam se traçássemos linhas unindo as estrelas. Naquele início de noite, na janela voltada para o leste, meus olhos distinguem nitidamente a Constelação de Escorpião. Um desenho fácil naquela noite difícil.
Apoio meu queixo no parapeito e busco entre os incontáveis pontos de luz, um alento para as vezes que desperdiçamos grão de vida, assim como pássaros descuidados na fartura das colheitas, achando que a primavera nunca terminará. Uma profunda inalada faz brilhar a brasa, iluminando meu oportuno abrigo. Reparo no ambiente espartano, quase rude. Assim pode ser a vida. Penso.
Eu me volto para a janela em busca de vida. Olho para baixo e vejo quartos iluminados por lâmpadas fluorescentes no pavilhão ao lado. Deitados nos leitos estão corpos que estagnaram vidas. O tempo não pára já escreveu o poeta. Penso que não estava completamente certo. Para quantos o tempo já parou naqueles leitos com lençóis suados pelo escorrer da vida?
Tenho pressa em contaminar-me de nicotina. Urge a compulsão, tentando aplacar minha apreensão. Minhas baforadas lançam mais fantasmas de fumaça no breu da noite.
Por entre uma janela vejo um solitário corpo, velho e inerte, conectado a bolsas plásticas por canículas que despejam antibióticos, soros, analgésicos, e sabe-se o que mais. Imagino que a morte o ronda. Desvio meu olhar, e em outro vão está estendido numa cama o corpo de uma mulher, ladeada por um homem segurando um bebê. Visão que traz uma promessa de vida. Utilizo duas tragadas pensando nas antíteses daqueles vãos fluorescentes.
Penso em Deus, em quanto a nicotina me contamina. Seriam Deuses os Astronautas? Ou seriam os médicos os deuses? Talvez Deus fosse simplesmente o Grande Controlador de Torre daquele enorme Aeroporto D’Almas. Aquele que decide o momento de decolagem e aterrissagem.
A penúltima tragada desvia meu olhar para o telhado, que me lembra das bocas dos silos de mísseis. Seriam por ali que almas partem ou chegam das estrelas?
Meu horóscopo diz que sou de Marte. Pouco importa de onde vim, e sim para onde vou!
A brasa esquenta meus dedos, e isto avisa que minha dose pretendida de nicotina já fora inalada, e o relógio denuncia quinze minutos longe da alma que eu necessitava manter junto à minha. Nossas vidas haviam feito uma conexão naquele Aeroporto D’Almas.
Levanto meu esqueleto e deixo o abrigo tabagista da ‘Saída de Emergência’, certo de que os reparos em nossas naves dariam tempo necessário para trocarmos rotas necessárias em busca da estrela definitiva. Ela não deve partir.
Enquanto decido meus passos de volta ao quarto, concluí naquele espaço de tempo: ‘Não somos imortais, nem Astronautas são Deuses, muito menos médicos os são. E Deus talvez seja apenas um controlador de vôos, decidindo a hora de partir ou de chegar neste Aeroporto D’Almas.’
terça-feira, 26 de abril de 2011
Jardim.
Simou é uma pequena cidade incrustada num vale no sul da Ilha de Chipre.
Há muitos séculos atrás, um jovem que lá morava sonhava em ser poeta. Seu nome era Hararib.
Ele passava horas nos bosques observando a natureza, e escrevendo suas poesias.
Um dia enquanto ele lá estava, passou por uma trilha um viajante montado. Curioso Hararib perguntou o que fazia um viajante naquele lugar tão ermo? '- Estou a caminho de Larnaca, de lá pego um barco até o porto de Mersin. Tenho negócios na Turquia.'
'- Mersin fica na Turquia?' - perguntou Hararib.
'- Sim. Eu nasci lá.' - respondeu o homem. '- E você? O que faz aqui?'.
Hararib estufa o peito, entre pomposo e orgulhoso, e responde: '- Sou poeta. Busco na beleza das matas, riachos e aves, inspiração para ser o melhor entre os melhores poetas.
'-Por Alá!!' - profere o turco, fazendo uma curruira voar assustada.
Um silêncio ameaça pairar no ar, quando o turco completa: '- Eu conheço um grande poeta. Saladin Marakesh. O poeta do Paxá de Ankara.'.
'- Por Alá!!' - agora é Hararib quem se espanta. ' Saladin o Grande? Aquele que escreveu mil poemas em um verão?'.
'- Dois mil! Meu jovem.' - corrige-o o turco.
'- Saberia ele escrever um poema em uma só palavra?' - curioso Hararib cria um desafio.
O turco levanta os olhos e leva a mão ao queixo, segurando sua cabeça. Assim fica por alguns segundos, até que baixa os olhos para o poeta e diz: '- Interessante questão que você coloca meu jovem. Um poema em uma só palavra! Venha comigo, e faremos a pergunta para Saladin!
Hararib escora com a mão seu corpo na pedra, e mira o povoado lá embaixo. Tão pequeno que ele poderia até mesmo nominar os moradores. Entende que não tem nada a perder.
'- Partimos?' - sugere o poeta.
O turco oferece lugar na mula, e Hararib monta.
Assim fazem uma jornada que começa no vale de Simou, e se estende entre montanhas, rios, e mares por mais de meio ano.
Quando chegam em Ankara, a neve cobre casas e ruas. As arvores pendem os galhos com o peso. O turco guia Hararib até o palácio. Lá os informam que o Grande Poeta só os verá na manhã seguinte. Acomodam-se num dos corredores aquecidos do palácio. Quase não dormem, mesmo estando tão cansados. Uma expectativa os consome: uma palavra, um poema.
O sol do nascente faz a luz dos cristais de neve brilhar, e os viajantes acordam.
Hararib admirado pela opulência do palácio entende que a jornada já valera à pena.
Eles são conduzidos até uma sala ampla, forrada de tapetes, e aquecida por cinco lareiras. Nas paredes tapetes estampam centenas de poemas. Um homem velho, vestido de bata e turbante branco, com uma barba que tapava seu pescoço, em posição de ioga, esta sentado numa almofada dourada.
Respeitosamente os viajantes sentam perto do Grande Saladin. Os viajantes olham-se, cúmplices da mesma pergunta: ' Um poema de uma palavra?'.
Aqui termina este conto. Para mim ao menos.
Reescrevi o texto acima, da minha memória que leu em um site está estória.
Mas acredito que meus leitores poderão adivinhar o final.
Feche os olhos e imagine.
Basta buscar no título.
Pense.
Se você não consegue, eu lhe ajudo.
Flores multicores. Vários tons de verde. Aroma perfumado nas narinas. Uma brisa morna e carinhosa lhe bate a face. Cantos mágicos dos pássaros lhe embalam.
Pronto!
Este é o poema de uma só palavra!
Tente se sentir assim.
É o que lhe desejo.
Jardim!
Ele passava horas nos bosques observando a natureza, e escrevendo suas poesias.
Um dia enquanto ele lá estava, passou por uma trilha um viajante montado. Curioso Hararib perguntou o que fazia um viajante naquele lugar tão ermo? '- Estou a caminho de Larnaca, de lá pego um barco até o porto de Mersin. Tenho negócios na Turquia.'
'- Mersin fica na Turquia?' - perguntou Hararib.
'- Sim. Eu nasci lá.' - respondeu o homem. '- E você? O que faz aqui?'.
Hararib estufa o peito, entre pomposo e orgulhoso, e responde: '- Sou poeta. Busco na beleza das matas, riachos e aves, inspiração para ser o melhor entre os melhores poetas.
'-Por Alá!!' - profere o turco, fazendo uma curruira voar assustada.
Um silêncio ameaça pairar no ar, quando o turco completa: '- Eu conheço um grande poeta. Saladin Marakesh. O poeta do Paxá de Ankara.'.
'- Por Alá!!' - agora é Hararib quem se espanta. ' Saladin o Grande? Aquele que escreveu mil poemas em um verão?'.
'- Dois mil! Meu jovem.' - corrige-o o turco.
'- Saberia ele escrever um poema em uma só palavra?' - curioso Hararib cria um desafio.
O turco levanta os olhos e leva a mão ao queixo, segurando sua cabeça. Assim fica por alguns segundos, até que baixa os olhos para o poeta e diz: '- Interessante questão que você coloca meu jovem. Um poema em uma só palavra! Venha comigo, e faremos a pergunta para Saladin!
Hararib escora com a mão seu corpo na pedra, e mira o povoado lá embaixo. Tão pequeno que ele poderia até mesmo nominar os moradores. Entende que não tem nada a perder.
'- Partimos?' - sugere o poeta.
O turco oferece lugar na mula, e Hararib monta.
Assim fazem uma jornada que começa no vale de Simou, e se estende entre montanhas, rios, e mares por mais de meio ano.
Quando chegam em Ankara, a neve cobre casas e ruas. As arvores pendem os galhos com o peso. O turco guia Hararib até o palácio. Lá os informam que o Grande Poeta só os verá na manhã seguinte. Acomodam-se num dos corredores aquecidos do palácio. Quase não dormem, mesmo estando tão cansados. Uma expectativa os consome: uma palavra, um poema.
O sol do nascente faz a luz dos cristais de neve brilhar, e os viajantes acordam.
Hararib admirado pela opulência do palácio entende que a jornada já valera à pena.
Eles são conduzidos até uma sala ampla, forrada de tapetes, e aquecida por cinco lareiras. Nas paredes tapetes estampam centenas de poemas. Um homem velho, vestido de bata e turbante branco, com uma barba que tapava seu pescoço, em posição de ioga, esta sentado numa almofada dourada.
Respeitosamente os viajantes sentam perto do Grande Saladin. Os viajantes olham-se, cúmplices da mesma pergunta: ' Um poema de uma palavra?'.
Aqui termina este conto. Para mim ao menos.
Reescrevi o texto acima, da minha memória que leu em um site está estória.
Mas acredito que meus leitores poderão adivinhar o final.
Feche os olhos e imagine.
Basta buscar no título.
Pense.
Se você não consegue, eu lhe ajudo.
Flores multicores. Vários tons de verde. Aroma perfumado nas narinas. Uma brisa morna e carinhosa lhe bate a face. Cantos mágicos dos pássaros lhe embalam.
Pronto!
Este é o poema de uma só palavra!
Tente se sentir assim.
É o que lhe desejo.
Jardim!
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Sementes.
'Se não houver frutos,
valeu a beleza das flores...
Se não houver flores,
valeu a sombra das folhas...
Se não houver folhas, valeu a intenção
da semente...'
Henfil.
A página 54 da ZH me salva da expectativa de um feriadão. Raros nesta época!
Mas aqui estou. Atualizando este blog.
Mas aqui estou. Atualizando este blog.
Amanhã, se Deus, e Kleiton & Kledir, permitir: '...vou pra Porto Alegre. Tchau!'.
Mas antes, escrevo depois de buscar um tema (quando me deu vontade!).
Sementes foi o título.
Semente é símbolo de Páscoa.
Cristo é Semente.
É dele que nasce uma religião há mais de 2.000 anos.
É sua morte que prantearemos na sexta-feira.
Sua falta no sábado.
E o brotar da sua ressurreição no domingo.
Nossa!
Quantos acontecimentos!
Quantos acontecimentos!
Espero que desta Páscoa eu lembre dos momentos marcantes que passei no Moinhos de Vento.
E que estes sejam, se não forem frutos, sementes de futuras histórias.
In God We Trust!
That is all.
In God We Trust!
That is all.
domingo, 17 de abril de 2011
Um conto: Castelos de areia.
Ainda é cedo, pouco mais de dez horas, mas a praia já começa a ser tomada por aqueles, que assim como eu, vieram aproveitar a folga da semana. Os guarda-sois formam pequenos ninhos, onde pessoas se agrupam em bando, trios, duplas ou unos. O mar e o céu parecem entender que estamos ali por causa deles,e hoje em especial são muito generosos. O céu é de um azul purpurina, o mar quase um lago de esmeraldas. Uma leve brisa disfarça a pimenta com que o sol temperara a pele dos desprevenidos.
Com minha cadeira e meu guarda-sol, estava preparado para curtir momentos de paz. Me guarnecia com cigarros, um livro de Tchékhov, uma bag térmica com algumas ampolas de agua mineral e um sandwich. Assim relaxo o corpo na cadeira, e por de trás dos óculos escuros descanso minha mente com a paisagem praiana .
Vasculho o horizonte a procura de barcos. Um pequenino ponto desfila na borda do horizonte. Gosto de imaginar que é comandada por um destemido capitão que desafia os Sete Mares. Navego com ele por alguns minutos.
Quando retorno à minha cadeira apanho a ampola e tomo um longo gole. Puxo um cigarro para a boca e acendo escondido da brisa. Disfarço um olhar ao meu redor para ver se algum vizinho se mostra contrariado com este meu péssimo habito. Felizmente todos parecem despreocupados e democráticos comigo.
Em minha frente, mais próximo do mar, uma menina senta na areia e começa a cavar um buraco. Pacientemente ela vai amontoando a areia. As pessoas passam quase esbarrando na sua brincadeira, mas esta tão compenetrada que suas mãos não param um minuto sequer de cavar e assim aumentar seu monte de areia. Adivinho logo seu intento: um castelo de areia. Um menino curioso começa a rondar sua obra. Ela com um sorriso aceita seu pedido para que ele participe da construção. Então os esforços somados dobram o ritmo para a construção daquela obra. Cena típica de praia.
O meu cigarro termina. Enterro a baga na areia para esconder minha sujeira. Ah se meus amigos ecologistas me vissem? É hora de mais uma dose de água, que desce refrescando o calor do quase meio dia. Apanho meu livro da bag e começo uma história de Tchékhov: O Homem no Estojo.
Alguém já escreveu, não lembro quem: O romance vence o leitor por pontos, o conto por nocaute. Quinze minutos de leitura e Tchékhov me deixa com a sensação que foi para mim que escreveu aquele texto. Sinto-me atualmente dentro do meu estojo. O espaço reduzido, mas confortável, de meus parcos afetos.
Com o homem no estojo ainda dentro de minha cabeça, procuro distrair-me com os diferentes biotipos que me rondam, ou que passam. Altos, baixos, gordos, magros; velhos, jovens, adultos em plena vida, e crianças. Mas todos com uma característica em comum: estojos de almas.
Volto a procurar as crianças que construíam um castelo de areia. Surpreendo-me com o tamanho e perfeição da obra quase finalizada. Duas torres altas, com bandeiras no cume, apoiadas na base do castelo onde se via uma porta cuidadosamente feita com palitos de picolé. Agora eles se dedicavam em construir o muro que guardaria seu castelo.
Aquilo me fez pensar em uma analogia com as relações dos casais, onde cada qual com seus caminhos se encontram por acaso e juntos passam a construirem seus castelos.
Pesar nos castelos que já construí me desperta necessidade de mais nicotina. Droga! A ansiedade não combina com a tranqüilidade de um domingo de sol e praia! Coisas guardadas dentro do meu estojo me incomodam.
Um vendedor ambulante tenta me vender algo, eu tento conversar com ele.
Um casal apaixonado produz cenas quase indecorosas. Ninguém liga. Eu cuido.
E assim a tarde vai se revelando enquanto eu observo a paisagem.
Repentinamente uma sombra envolve a paisagem. A brisa transforma-se em vento. Esteiras viram tapetes voadores. Um guarda-sol sai tresloucado assustando alguns.
Busco as crianças que constroem seu castelo. A menina olha para o céu e preocupada acelera o ritmo da construção. O menino apenas observa curioso a rápida mudança do tempo. Parece pensar:'Não dará tempo!'.
Eu sei que a chuva virá. Então como não posso fugir, não tenho pressa. Apenas vou recolhendo meus objetos para dentro da bag.
A praia vai se esvaziando. O mar agora tem ondas com bigodes de espuma. E o sol está definitivamente preso atrás das nuvens.
Os primeiros pingos de chuva são pesados. Fazem ploc, ploc, ploc no meu guarda sol, agora iminente guarda chuva.
A praia já esta praticamente deserta. Eu preparo-me para a chuva.
Busco as crianças e seu castelo. Só encontro o castelo. Acabado e perfeito. Duas grandes torres com bandeiras no cume, um muro guarnecido por quatro pequenas torres, e um portão de palitos de picolé.
As crianças abandonaram o castelo, pensam que o mar e a chuva vai desmorona-lo. Não ficaram para assistir.
Eu ficarei.Talvez para tentar recuperar algo que perdi por abandonar castelos que julguei condenados. Quem sabe este sobreviva...
Com minha cadeira e meu guarda-sol, estava preparado para curtir momentos de paz. Me guarnecia com cigarros, um livro de Tchékhov, uma bag térmica com algumas ampolas de agua mineral e um sandwich. Assim relaxo o corpo na cadeira, e por de trás dos óculos escuros descanso minha mente com a paisagem praiana .
Vasculho o horizonte a procura de barcos. Um pequenino ponto desfila na borda do horizonte. Gosto de imaginar que é comandada por um destemido capitão que desafia os Sete Mares. Navego com ele por alguns minutos.
Quando retorno à minha cadeira apanho a ampola e tomo um longo gole. Puxo um cigarro para a boca e acendo escondido da brisa. Disfarço um olhar ao meu redor para ver se algum vizinho se mostra contrariado com este meu péssimo habito. Felizmente todos parecem despreocupados e democráticos comigo.
Em minha frente, mais próximo do mar, uma menina senta na areia e começa a cavar um buraco. Pacientemente ela vai amontoando a areia. As pessoas passam quase esbarrando na sua brincadeira, mas esta tão compenetrada que suas mãos não param um minuto sequer de cavar e assim aumentar seu monte de areia. Adivinho logo seu intento: um castelo de areia. Um menino curioso começa a rondar sua obra. Ela com um sorriso aceita seu pedido para que ele participe da construção. Então os esforços somados dobram o ritmo para a construção daquela obra. Cena típica de praia.
O meu cigarro termina. Enterro a baga na areia para esconder minha sujeira. Ah se meus amigos ecologistas me vissem? É hora de mais uma dose de água, que desce refrescando o calor do quase meio dia. Apanho meu livro da bag e começo uma história de Tchékhov: O Homem no Estojo.
Alguém já escreveu, não lembro quem: O romance vence o leitor por pontos, o conto por nocaute. Quinze minutos de leitura e Tchékhov me deixa com a sensação que foi para mim que escreveu aquele texto. Sinto-me atualmente dentro do meu estojo. O espaço reduzido, mas confortável, de meus parcos afetos.
Com o homem no estojo ainda dentro de minha cabeça, procuro distrair-me com os diferentes biotipos que me rondam, ou que passam. Altos, baixos, gordos, magros; velhos, jovens, adultos em plena vida, e crianças. Mas todos com uma característica em comum: estojos de almas.
Volto a procurar as crianças que construíam um castelo de areia. Surpreendo-me com o tamanho e perfeição da obra quase finalizada. Duas torres altas, com bandeiras no cume, apoiadas na base do castelo onde se via uma porta cuidadosamente feita com palitos de picolé. Agora eles se dedicavam em construir o muro que guardaria seu castelo.
Aquilo me fez pensar em uma analogia com as relações dos casais, onde cada qual com seus caminhos se encontram por acaso e juntos passam a construirem seus castelos.
Pesar nos castelos que já construí me desperta necessidade de mais nicotina. Droga! A ansiedade não combina com a tranqüilidade de um domingo de sol e praia! Coisas guardadas dentro do meu estojo me incomodam.
Um vendedor ambulante tenta me vender algo, eu tento conversar com ele.
Um casal apaixonado produz cenas quase indecorosas. Ninguém liga. Eu cuido.
E assim a tarde vai se revelando enquanto eu observo a paisagem.
Repentinamente uma sombra envolve a paisagem. A brisa transforma-se em vento. Esteiras viram tapetes voadores. Um guarda-sol sai tresloucado assustando alguns.
Busco as crianças que constroem seu castelo. A menina olha para o céu e preocupada acelera o ritmo da construção. O menino apenas observa curioso a rápida mudança do tempo. Parece pensar:'Não dará tempo!'.
Eu sei que a chuva virá. Então como não posso fugir, não tenho pressa. Apenas vou recolhendo meus objetos para dentro da bag.
A praia vai se esvaziando. O mar agora tem ondas com bigodes de espuma. E o sol está definitivamente preso atrás das nuvens.
Os primeiros pingos de chuva são pesados. Fazem ploc, ploc, ploc no meu guarda sol, agora iminente guarda chuva.
A praia já esta praticamente deserta. Eu preparo-me para a chuva.
Busco as crianças e seu castelo. Só encontro o castelo. Acabado e perfeito. Duas grandes torres com bandeiras no cume, um muro guarnecido por quatro pequenas torres, e um portão de palitos de picolé.
As crianças abandonaram o castelo, pensam que o mar e a chuva vai desmorona-lo. Não ficaram para assistir.
Eu ficarei.Talvez para tentar recuperar algo que perdi por abandonar castelos que julguei condenados. Quem sabe este sobreviva...
terça-feira, 12 de abril de 2011
Jacaré na cabeça!
Um velho habito herdado de meu pai é ouvir os noticiários das rádios. Fatos da cidade, previsão do tempo, comezinhas locais. Quase banalidades. Eventualmente um crime ou acidente quebram a monotonia do radio-jornal. Hoje, enquanto aguardava o fim da tarde, como de costume, sintonizei numa das estações da cidade. Observo o transito e ouço despretensiosamente o radio. Um break nas notícias para uma música gauchesca. Quando o repórter retoma a programação, é para chamar os resultados das loterias patrocinadas pela Lotérica Mão Grande. Enquanto a monótona narrativa vai se desenrolando, cantando os números da loteria federal do 1º ao 5º, o locutor linka os números aos correspondentes bichos. Hoje deu jacaré na cabeça. O maior crime do dia foi a rádio fazer apologia de uma contravenção que financia tráfico de drogas, de armas e contrabando. Na singeleza de um habito se esconde uma das chagas sociais.
Jacaré na cabeça!
terça-feira, 5 de abril de 2011
Você só é você quando ninguém esta olhando.
Hoje resolvi as coisas do dia anterior. As paredes e o café tiveram funções diferentes no dia de hoje. As esperadas.
A emoção do dia foi fingir-me Ayrton Sena, quando deixei a cadeira de rodas ser levada pela gravidade. Ultrapassei pelotões de transeuntes. Uma sensação quase inédita: ser mais rápido. Coisas de Jabulani.
A novidade do dia foi a ZH. Recebi o primeiro jornal da nova assinatura. Muitas letras que compõem diversas notícias eu não leio. Maioria talvez. Não por menosprezo, mas por pouco tempo. Até então eu lia o jornal do restaurante no intervalo do almoço, ou em visitas on line, rapidamente para que não seja flagrado 'vagabundeando'. Prefiro chamar de Intervalo Produtivo Necessário.IPN.
Minha página inicial é a 46. Foi dela que tirei o titulo da postagem. Ann Landers no rodapé.
A noite morna e tranqüila me fará imergir na primeira ZH desta nova assinatura. Política, geral, mundo, policia e esportes trarão me novas. Boas, más e indiferentes notícias.
This is the live!
A Luciane prefere que eu traduza.
Esta é a vida!
A Luciane prefere que eu traduza.
Esta é a vida!
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Camelos no Pólo Norte !
O sol da segunda feira não teve vantagem alguma. As paredes do escritório latejavam de rotinas. Um nada de vontade, e um tudo de enfadonho me vestiu. O café teve gosto de Errorex.
Uma breve escapada da masmorra capitalista para visitar o fisioterapeuta, e aproveitar para alongar o gastrocnémio. Pauta obrigatória desde que fraturei o joelho.
Não penso mais em retomar a condição de 'Homo eréctus', sinto-me um guerreiro cansado. Agora me deleito com a tranqüilidade da minha cadeira de rodas, carinhosamente apelidada de Jabulani. Mas três vezes por semana eu deslizo até o 5º andar do prédio ao lado para que pacientemente Carlos faça o seu trabalho, e eu me adapte a esta nova condição: 'Homo deslizantis'.
O que isto tem a ver com camelos no Pólo Norte?
Acho que a mesma coisa que um escritor que tem como companheira uma HP-12C, e um cadeirante que ainda alonga gastrocnémios.
domingo, 3 de abril de 2011
Tartarugas não sobem escadas!
Começo este espaço com algo que descreve o meu presente instante: "Too Old To Rock' n' Roll: Too Young To Die". - Muito Velho para o Rock 'n' Roll, Muito Jovem Para Morrer.
Esta frase adaptada ao momento da minha vida ficaria assim: "Muito velho para caminhar, mas muito jovem ainda para parar."
Hoje o domingo foi de sol. Até um cochilo em baixo da árvore tirei. O que me fez adormecer, provavelmente tenha sido, além da sombra e da fresca brisa, a sonolência pela farta refeição de domingo: Nhoque de batata ao molho de tomate da Mama; três cálices de um bom cabernet blanc e pêras ao vinho como sobremesa.
Bem, mas o que tem a ver tartarugas e escadas?
Ainda não sei ao certo qual o meu objetivo neste 'blog'.
Mas se eu perseverar, talvez faça até mesmo tartarugas subirem escadas.
That is all.
Today.
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