A ausência é a falta que sentimos de algo que está ocupando outro espaço.
Assim eu estou...
Ocupando outro espaço.
Agora deveria estar na cama, mas me comprometi com este espaço, então o ocupo.
Tenho saciado minha vontade pela escrita com a revisão do meu livro.
Confesso que, se não for desta vez que farei a revisão definitiva, irei deletar tudo!
Não aguentaria mais lêr, reescrever, e re-lêr....
Não sou nem perto um Graciliano.
Mas desta vez acho que vai terminar este ciclo Caranhoto.
Escrevi um artigo sobre acessibilidade que saiu no jornal da semana passada.
E terça participarei de um programa da TV UPF sobre o mesmo tema....
Bem....
Assim termina este meu encontro com este blog...
Reservei onze minutos para ele...
Agora desocupo estas teclas para ocupar meu lugar no leito.
Dizem que os conflitos humanos se resumem em nascer, viver e morrer. Porém, viver é o grande conflito. A grandeza de viver é a postura do ser ante a vida e seus limites. Caranhoto leva o leitor por uma vida marcada com tragédia.Alguns transformam dores em terríveis sofrimentos. Outros preferem debochar da cara amarga da vida, e rir com tudo, apesar de tudo.O texto tem humor judáico, aquele que sabe rir de si mesmo.Walmor Santos.
domingo, 22 de maio de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
WC com acessibilidade. Básico!
Hoje pela manhã não fui trabalhar.
Tive um compromisso particular.
Coisas raras.
Não ir trabalhar, e ter um compromisso particular.
Visitei a associação dos deficientes com a intenção de convidar o presidente.
Haverá uma mesa redonda na Rádio Diário da Manhã para discutir acessibilidade.
Convidei-o em nome do Partido Verde.
O Preto me autorizou.
Senti-me honrado.
Quase todas têm seus destinos pelas escolhas que fizeram. Mas um Portador de Necessidades Especiais não fez escolha. Aconteceu!
Comigo foi assim.
Mas tão pouco me sinto como os que eu vi; tomando chimarrão, fumando no pátio, ou navegando na internet. Senti-me longe daqueles tipos meio ‘à toas’.
Eu estava lá, mas meu trabalho me cobrava.
Botei na balança e entendi que devia trabalhar com eles.
Tenho consciência plena que seus estados não são desejos. É condição!
Poderei incorporar Dom Quixote, ou talvez um decepcionado.
Meu primeiro objetivo é que se tenha um banheiro público adaptado.
Na Praça Marechal Floriano.
Nunca se sabe...
sábado, 7 de maio de 2011
Pimenteira.
A tarde desocupada deste sábado ensolarado provocam-me a ociosidade.
Escolho as teclas para praticar a 'vagabundagem do pensamento'.
Chego em casa e o silêncio predomina.
Deslizo até o escritório e ligo o PC e a TV.
Recebo @mails. Abro somente o do Climatempo.
Tempo bom é previsto.
Na TV ouço, e vejo o que me interessa.
Justamente a audição me trouxe a inspiração.
Pimenteira.
O programa era sobre um fato sobrenatural que ocorreu na década de cinqüenta.
O cenário era na Rua Demétrio Ribeiro. Lembro da rua simpática, com calçadas guardadas por arbustos e canteiros. Felizmente ninguém morreu neste episódio.
Mas no apartamento ‘amaldiçoado’ da Demétrio, houve inexplicáveis fatos; vidros quebrados, louças partidas, lâmpadas autônomas e fogões que acendiam por si.
Eu assistia o documentário, entre o curioso e o descrédito.
Mas um depoimento me inspirou:
‘Naquele apartamento, uma pimenteira não durava sete dias...’.
Imediatamente lembrei da minha pimenteira!
Busco a planta que está escondida pela tela deste notebok.
Uma fração de segundos criam o suspense:
Como estará minha pimenteira?
Ufa!
Assim que baixo a tela do note vejo uma planta vigorosa.
Folhas fortes e frutos saudáveis!
Mas não satisfeito busco no Google para conferir o resultado para pimenteira.
Escolho aquele que relata vínculo com proteção energética de ambiente:
http://www.terra.com.br/esoterico/fengshui/colunas/2004/04/15/000.htm
http://www.terra.com.br/esoterico/fengshui/colunas/2004/04/15/000.htm
‘Todos nós estamos sujeitos a ataques de energias negativas, oriundas de várias pessoas, por motivos fúteis e perigosos. Por exemplo, seu chefe acha você mais competente que ele, logo tem medo que você o tire o emprego dele. Pode ser a sua amiga solteira que tem inveja de seu relacionamento (isto se ela não estiver afim seu marido ou namorado). Pode ser aquele vizinho ou parente riquíssimo, mas pobre de espírito, com inveja de você que é rico de espírito e de bem com a vida. Pode ser uma pessoa negativa, de mal com a vida, azarada e, que tem inveja de pessoas felizes, trabalhadoras e bem-sucedidas.’
Penso que até se pode acreditar na missiva acima. Mas tenho dificuldade em aceitar.
Minha citação preferida para as ocasiões que se sugere mal-olhado é:
‘Praga de urubu não mata cavalo gordo!’
Mas tem outra que gosto muito, e respeito:
‘Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay!’
Por precaução carrego São Jorge pendurado no pescoço, e assim reforço a Fé em mim e naqueles que me conduzem.
Termino meu devaneio nesta tarde desocupada, pensando na força de minha Fé.
Se você quiser, ou puder, pense no tema.
In God we must be trust.
Fé!
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Considerações sobre BullinNada.
O fim do dia leva a jornada do trabalho para casa. Mas antes, o mercado!
Enquanto espero, vejo uma dupla de bikepatrulhas. Inicialmente me chama a atenção de ambos estarem de óculos escuro, apesar de já ser noite. Estes estancam as bikes, e postamo-se junto de um homem sentado no banco do largo em frente. O homem é magro, cabelos pálidos e sebosos; blusa e calça de moleton surrados; chinelos Havaiana.
Observo o patrulheiro que se aproxima do mendigo para aborda-lo. Instintivamente cuido o movimento seguinte do mendigo. Este abre os braços na mimica de '...estou limpo!', e levanta-se. Fica em pé, e sai caminhando.
É clara e evidente sua atrofia de membros inferiores. As calças balançam presas pela cintura. Caminha medindo os passos, e arrastando uma perna. O patrulheiro estanca. Parece não ver ameaça ( ou sentir compaixão?), e desiste da abordagem.
O mendigo poderia acusar o patrulheiro de 'bulling'?
Minha tese é sim. Pois o cidadão foi abordado, em atitude insuspeita. Apenas porque era aparentemente pobre e desocupado. Foi molestado. BullinNado.
'Agosto. Os jornais matinais diziam que o tempo era firme e quente, mas, aparentemente, foi por volta do meio-dia, que alguma coisa excepcional começou a acontecer, e funcionários do gabinete, todos com aquela expressão desesperada de crianças vitimas de bulling, começaram a telefonar para o serviço de meteorologia.' - Truman Capote, 1946.
O termo é antigo. Há tempos habita os dicionários.
'Banha! Quatro olhos! Zarrolho! Pavio de vela! Seco! Gago! Aleijadinho!
É muito comum ter conhecido alguém com estes apelidos. Eu tenho um grande amigo que seu apelido (codinome) era Xuxa. Extremamente loiro; beirando albino. Nesta época a Xuxa estava em alta.
Na infância eu tive um vizinho que chamavam de Zoinho. Era um menino franzino e mau. Talvez por zombarem de seu estrabismo.
Zoinho tornou-se um comerciante bem sucedido. Encontro-o seguidamente na padaria durante meu café-da-manhã. Sempre o cumprimento. Mas não digo seu nome simplesmente porquê não sei. O certo é que Zoinho não é seu nome. Mas certo é que Zoinho sobreviveu!
Minha idade cronológica, nesta era, separa-me de muitas gerações.
Se fosse criança insegura, nestes tempos, andaria com o Código Civil nas axilas. Mas na minha geração, crianças tinham que manter a honra, mesmo que muitas vezes à baixo de tapas e socos.
'Vaca! Senvergonha! Vagabunda! Meretriz!'. Palavras fáceis de se encontrar nas telenovelas. E atitudes de traição, ódio, hipocrisia, e raro afeto. Faz tempo que a TV abriu caminho até as mentes e corações. Mas inúmeras outras formas de comunicação se criaram. Hoje li na Folha on-line que um mendigo foi encontrado cremado. Pouco ainda pode nos comover.
'Para o mundo que eu quero descer' - Raul Seixas.
Este mundo, onde alguns tem milhares de amigos, sem um para o café de uma tarde fria em agosto e sem um abraço no aniversário, mas com centenas de @cartões.
É..!
Para o Mundo que eu quero descer!
Ou vou abrir um processo contra todas as 'bullinações' que já sofri!
E que mal ou bem, forjaram-me a pessoa forte que me construí.
Termino este, com a mais impactante frase que já li:
'El tiempo cura, lo que em vano lá razón procura!'.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Aeroporto D' Almas
'Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.
Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a agua com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas penduram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.' - Graciliano Ramos, 1948.
Guardei por meses, este texto impresso que ganhei numa oficina de literatura do Sesc. Se não estou enganado foi com Sérgio Napp. Aquele que escreveu a letra da música Desgarrados.
Acho, este conselho de Graciliano um dos melhores para quem pensa em escrever.
O texto que publico à baixo foi recentemente 'lavado'.
Mas conserva a força do ímpeto momentâneo.
Saindo do quarto eu encontro o hall vazio. Um silêncio respeitoso paira no ar. Apenas um sofá desbotado observa o abrir e fechar das bocas dos elevadores. Eu observo o terreno, e escolho o destino. Uma porta identificada: ‘Saída de emergência’. Alguns passos até atrás da porta, e estou numa pequena passagem de andar. Uma única janela contempla aquele espaço, esquecido no prédio de quinze andares. Abro a janela e uma brisa noturna, ainda morna pelo calor do dia, me recebe. Ela será cúmplice do meu intento. Um adesivo na porta corta-incêndio alerta-me em vão: “Proibido Fumar – Lei 2603.” . Conferindo a posse do fumo e do fogo, acomodo-me encostado na janela, e providencio baforadas espessas de alcatrão e nicotina.
Sua respiração ofegante, apesar de inundada pela mascara de oxigênio, aliado ao vazio de seus olhos vagos, fizeram-me pular da cadeira ao lado do leito e buscar alento na imediata nicotina contida em meu cigarro. Debruço-me na janela, cúmplice ocasional, e solto o ar dos pulmões, para deixar partir na brisa os fantasmas da sua iminente fatalidade. O brilho das estrelas engole a fumaça expelida.
Lembro-me do tempo de criança, quando gostava de imaginar os desenhos que se formariam se traçássemos linhas unindo as estrelas. Naquele início de noite, na janela voltada para o leste, meus olhos distinguem nitidamente a Constelação de Escorpião. Um desenho fácil naquela noite difícil.
Apoio meu queixo no parapeito e busco entre os incontáveis pontos de luz, um alento para as vezes que desperdiçamos grão de vida, assim como pássaros descuidados na fartura das colheitas, achando que a primavera nunca terminará. Uma profunda inalada faz brilhar a brasa, iluminando meu oportuno abrigo. Reparo no ambiente espartano, quase rude. Assim pode ser a vida. Penso.
Eu me volto para a janela em busca de vida. Olho para baixo e vejo quartos iluminados por lâmpadas fluorescentes no pavilhão ao lado. Deitados nos leitos estão corpos que estagnaram vidas. O tempo não pára já escreveu o poeta. Penso que não estava completamente certo. Para quantos o tempo já parou naqueles leitos com lençóis suados pelo escorrer da vida?
Tenho pressa em contaminar-me de nicotina. Urge a compulsão, tentando aplacar minha apreensão. Minhas baforadas lançam mais fantasmas de fumaça no breu da noite.
Por entre uma janela vejo um solitário corpo, velho e inerte, conectado a bolsas plásticas por canículas que despejam antibióticos, soros, analgésicos, e sabe-se o que mais. Imagino que a morte o ronda. Desvio meu olhar, e em outro vão está estendido numa cama o corpo de uma mulher, ladeada por um homem segurando um bebê. Visão que traz uma promessa de vida. Utilizo duas tragadas pensando nas antíteses daqueles vãos fluorescentes.
Penso em Deus, em quanto a nicotina me contamina. Seriam Deuses os Astronautas? Ou seriam os médicos os deuses? Talvez Deus fosse simplesmente o Grande Controlador de Torre daquele enorme Aeroporto D’Almas. Aquele que decide o momento de decolagem e aterrissagem.
A penúltima tragada desvia meu olhar para o telhado, que me lembra das bocas dos silos de mísseis. Seriam por ali que almas partem ou chegam das estrelas?
Meu horóscopo diz que sou de Marte. Pouco importa de onde vim, e sim para onde vou!
A brasa esquenta meus dedos, e isto avisa que minha dose pretendida de nicotina já fora inalada, e o relógio denuncia quinze minutos longe da alma que eu necessitava manter junto à minha. Nossas vidas haviam feito uma conexão naquele Aeroporto D’Almas.
Levanto meu esqueleto e deixo o abrigo tabagista da ‘Saída de Emergência’, certo de que os reparos em nossas naves dariam tempo necessário para trocarmos rotas necessárias em busca da estrela definitiva. Ela não deve partir.
Enquanto decido meus passos de volta ao quarto, concluí naquele espaço de tempo: ‘Não somos imortais, nem Astronautas são Deuses, muito menos médicos os são. E Deus talvez seja apenas um controlador de vôos, decidindo a hora de partir ou de chegar neste Aeroporto D’Almas.’
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